Cidades Mortas

Bananal

“Umas tantas cidades moribundas arrastam um viver decrépito, gasto em chorar na mesquinhez de hoje as saudosas grandezas dantes”. Nos soberbos casarões, vivem plantas, umedecidas pelas goteiras; os móveis empoeirados ainda guardam o esplendor da época com seus candelabros azinhavrados, cujas dezoito velas não se acendem e tudo cheira a bolor e velhice: “São os palácios mortos da cidade morta”.Colonial House

Largado numa praça, encontra-se o antigo teatro, que nos áureos tempos recebeu grandes artistas. Os ricos mudaram-se para o Rio, São Paulo e Europa e os que ficaram amargam uma vida sem horizonte. A única ligação com o mundo se resume no “cordão umbilical do correio”.

Colonial HouseTudo contribui para o aspecto de abandono, pois as cidades não têm som que indique vida; só os velhos sons coloniais ainda restam – “o sino, o chilreio das andorinhas na torre da igreja, o rechino dos carros de boi, o cincerro das tropas raras, o taralhar das baitacas que em bando rumoroso cruzam e recruzam o céu”. Tal desolação é maior na área urbana, mas o campo também dá sinais de pouca vitalidade.

Claire & Jamie

tumblr_lwaxn12WCn1r0g8mko1_1280

O texto abaixo foi feito a pedido da Vivi, para seu ex-blog, Romance Gracinha. A idéia era criar posts sobre casais de várias obras literárias. Como sou eternamente fã da série Outlander de Diana Gabaldon, tive a honra de poder escrever sobre meu casal preferido, Jamie e Claire.

Eu confesso que fiquei alguns minutos em frente ao meu computador pensando por onde começar… e por alguns momentos eu pensei que talvez não conseguisse expressar através de palavras o sentimento que foi passado a mim quando li a história deste casal. Para quem nunca leu os livros acho que seria impossível compreender ou talvez tentar entender a essência do romance entre Claire e Jamie através das minhas palavras, e acho que os que acompanham a história, como eu, também teriam dificuldades de explicar esse sentimento, ainda mais sabendo que é apenas uma história, inventada, criada, sonhada, mas posso garantir, com toda certeza, que não como todas as outras.

Eu poderia dizer que começou com um simples olhar, à primeira vista, no primeiro encontro, com arrebatadora paixão e desejo, mas não foi assim, não como estamos acostumados a ver em outros livros e outros romances. Tudo começou com o acaso, ou talvez destino… destino, palavra que define como nenhuma outra os livros de Diana Gabaldon, parece ser a palavra chave que deu início a uma amizade profunda cultivada através da convivência diária entre ambos os personagens. Quando você começa a ler o primeiro livro da série, você nem tem idéia de que Claire um dia se tornaria a vida de Jamie e Jamie se tornaria a vida de Claire. Os acontecimentos são tão sutis, que mesmo o leitor mais experiente, não se da conta de que aquela amizade inicial entre os personagens viraria algo tão profundo a ponto de nos fazer querer e desejar este sentimento para nós mesmos.

Então temos a pergunta: Quem é Claire e quem é Jamie? Inúmeras palavras, adjetivos e defeitos poderiam definir a ambos, porém a complexidade que envolve estes dois personagens vai muito além de simples adjetivos. Um resumo de ambos seria: Claire, mulher, enfermeira, sobrevivente de um mundo pós-guerra, jogada no tempo e deixando para trás um amor, conhece Jamie, escocês, inteligente, malicioso, também inocente, que iria se tornar seu novo e último grande amor. Ouso dizer que Jamie é mais que o último grande amor de Claire ou vice-versa, é mais do que palavras, carinho e devoção. Ás vezes ao longo da história parece que Jamie e Claire são um só, como se ambos formassem um só personagem, que desse todo o rumo, sentimento ou sentido a cada parágrafo lido. Cada toque, cada palavra, afirmação ou reafirmação de desejos e promessas entre ambos são únicas. Não existem mentiras ou enganos, é tudo muito sincero, muito real, por mais que saibamos de que se trata de uma ficção. Mesmo com as piores adversidades, as mais cruéis provas, a sinceridade entre ambos é algo sem limites e porque não dizer invejável, afinal quem não gostaria de poder ter uma relação tão sincera assim? Sem julgamentos, arrependimentos ou culpas.

Enfim, Claire é uma personagem forte, decidida e vivida, que por um acaso do destino, ou não, volta no tempo e conhece Jamie Fraser, mais jovem e em alguns momentos, inocente. Ambos em meio a inúmeras atribulações se tornam amigos, se casam por uma imposição no início e se mantém unidos por amor depois. Durante toda a narrativa vemos os sofrimentos por quais ambos passam, a angústia de Claire e seu dilema por querer voltar ao seu tempo, ao seu antigo amor e ao mesmo tempo sua relutância em não querer abandonar seu novo amor, Jamie. Um dos momentos mais lindos do livro, me arrisco a dizer de todos os livros da série, sem dúvida, é o momento da decisão de Claire, quando ela finalmente decide por Jamie, quando ela decide abandonar seu passado que por ironia é o futuro, para ficar ao lado de seu grande amor. Com simples passos Claire percebe que seu corpo, sua vontade e seu coração passaram a pertencer apenas a Jamie. Por muitas vezes durante as minhas leituras dos livros eu me perguntava: Será que eu faria o que Claire fez? Abandonaria tudo, todos por um grande amor? Às vezes eu ainda me pego sem ter uma resposta e acho que cada um que acompanha a história ainda não formulou a sua. Isso porque a todo o momento em que a dúvida aparece à Claire, ela se incorpora a nós leitores, mas ao mesmo tempo é dissipada quando a personagem nos releva que não há dúvidas, voltas ou arrependimentos. E estes momentos são gloriosos, porque é sempre no instante em que Claire olha para Jamie ou quando Jamie olha para Claire.

The Libertine

libertine

Ontem, estava revendo este filme. Ele é sujo, escuro e realístico, e também, óbvio cheio de furos que não tem conexão com a história. E o Depp… não é lá uma das suas melhores interpretações, o normal e realístico não combina com ele, só o estranho e esquisito. Mas a questão do filme, literalmente é:

Deve-se viver a vida até ao limite, correr o risco de a encurtar, ou deve-se vivê-la regradamente, racionalmente, sem rendição aos impulsos, alcançando uma idade avançada, mas com a possibilidade de chegar à conclusão de que não se viveu plenamente?

Mumford & Sons

Mumford and Sons

Existem aquelas bandas que estão aptas a entrarem na sua lista de bandas de cabeceira, ou seja, aquelas bandas que geralmente você ouve uma unica música e já se apaixona pelo resto de sua vida… que te faz virar fã, comprar CDs, DVDs e criar playlists com suas músicas para tocar no seu casamento. Tenho várias bandas de cabeceira e agora mais uma entra na lista… Mumford & Sons. Os motivos são claros… tocam bem ao vivo:

Suas letras saíram de clássicos literários, incluindo Shakespeare. Aliás o título do primeiro album da banda, “Sigh no More” foi tirado da peça “Muito barulho por nada”, uma das minhas, se não a minha peça preferida de Shakespeare…

e para finalizar… ninguém me tira da cabeça que a música “Nothing is Writen” é inspirada naquela cena maravilhosa do filme Lawrence da Árabia

” Na verdade, para alguns homens nada está escrito a menos que eles escrevam. ”
— Lawrence da Árabia